Análises da USP aceleram confirmação de casos de intoxicação por metanol em SP

Como o trabalho laboratorial ajuda SP a confirmar e descartar casos de intoxicação por metanol
Foto: Governo de SP

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Análises forenses e investigações policiais fortalecem combate à falsificação de bebidas

O Governo de São Paulo intensificou o trabalho de confirmação e descarte dos casos de intoxicação por metanol registrados no estado, em meio ao aumento de ocorrências relacionadas a bebidas adulteradas. Até esta quarta-feira (15), o balanço oficial apontava 339 casos descartados e 33 confirmados, resultado de um processo que envolve desde a coleta nas unidades de saúde até análises de alta precisão realizadas pela USP.

Coleta rápida é essencial para detectar a substância

Quando um paciente chega aos serviços de saúde com sintomas como tontura, dores abdominais intensas e confusão mental, os profissionais coletam amostras de sangue e urina. A agilidade é crucial: segundo o professor Bruno de Martinis, do Latof (Laboratório de Toxicologia Analítica Forense) da USP, o metanol tem meia-vida de apenas 24 horas.

“Se a amostra for colhida dias depois da ingestão, o metanol já pode ter sido eliminado do organismo. Por isso, a coleta e o congelamento imediato são fundamentais”, explica Martinis.

A ingestão de 10 ml de metanol pode causar lesões no nervo óptico, enquanto 30 ml ou mais podem ser fatais.

Cromatografia garante precisão e rapidez

As amostras coletadas são encaminhadas ao Latof, em Ribeirão Preto, referência nacional na detecção de compostos tóxicos. Lá, passam por um processo de cromatografia em fase gasosa com sistema headspace, que separa os compostos voláteis presentes no sangue, na urina ou até em tecidos.

O método permite resultados em até uma hora, com alta precisão.

Durante o exame, o material é colocado em frascos lacrados e aquecido dentro do equipamento. O vapor liberado é analisado automaticamente, sem abrir o recipiente, evitando contaminações e garantindo a confiabilidade dos resultados.

“O preparo leva cerca de dez minutos, e a análise, de 30 a 40 minutos. O equipamento trabalha de forma contínua, uma amostra após a outra”, detalha Martinis.

Os gráficos gerados pelo sistema indicam a presença e a concentração de metanol e outras substâncias, como o etanol, permitindo diferenciar embriaguez comum de intoxicação química.

Precisão acima do padrão de segurança

Segundo Martinis, o laboratório da USP consegue identificar o metanol em concentrações inferiores ao limite de risco.

“Nosso limite de segurança é de 100 miligramas por litro, enquanto a nota técnica considera 200 miligramas por litro como ponto de risco. Isso garante que nenhuma amostra positiva passe despercebida”, afirma.

Os resultados laboratoriais ajudam a confirmar, descartar ou manter sob investigação os casos notificados em todo o estado.

Tratamento e antídoto disponíveis

O socorro em até seis horas após o início dos sintomas é decisivo para evitar sequelas graves.
O Estado mantém estoque do antídoto etanol absoluto (99,9%), com 5,5 mil ampolas disponíveis em unidades de referência. O atendimento inclui a administração do antídoto, exames laboratoriais e avaliação oftalmológica.

Fiscalização e combate à falsificação

Além do trabalho técnico dos laboratórios e da vigilância sanitária, o governo atua em parceria com o setor de bebidas para reforçar a fiscalização e orientar consumidores e comerciantes. As medidas incluem treinamento de agentes públicos, campanhas educativas e propostas para endurecer punições contra falsificadores.

Ação integrada com a Polícia Científica

A Polícia Científica de São Paulo também desempenha papel central na investigação de bebidas adulteradas.

Cada garrafa apreendida passa por uma sequência de análises, desde a verificação de rótulos, selos e lacres até os exames químicos que identificam o teor de metanol. O laudo resultante dá base jurídica às investigações, facilitando a responsabilização dos envolvidos.

A Polícia Civil já apreendeu 71,4 mil garrafas com indícios de falsificação em 2025, sendo 21,4 mil apenas na última semana.

As operações resultaram em 51 prisões, incluindo a de um homem apontado como principal fornecedor de insumos para falsificação no estado.

Canais de denúncia

Suspeitas de bebidas adulteradas podem ser denunciadas pelo
Disque Denúncia 181 ou pelo site www.webdenuncia.sp.gov.br.

O Procon-SP também recebe queixas pelo Disque 151 e em www.procon.sp.gov.br, com um atalho específico para casos de metanol.

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