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Cadastro nacional de desaparecidos renova esperança de famílias

Cadastro nacional de desaparecidos renova esperança de famílias

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Nova plataforma integra dados de diferentes órgãos e promete agilizar buscas

Uma dor que atravessa décadas ganhou um sopro de esperança nesta quarta-feira (27). O Ministério da Justiça e Segurança Pública lançou, em Brasília, o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, sistema que vai integrar informações de diferentes bases de dados e centralizar registros de ocorrências em todo o país. O painel público já está disponível em: https://cnpd.mj.gov.br/painel-publico.

Para familiares de vítimas, como Ivanise da Silva Santos, que procura pela filha Fabiana desde 1995, o anúncio representa um marco.

“Hoje eu estou aqui em estado de graça porque finalmente a gente vai poder comemorar o início de uma luta que eu carrego há quase 30 anos”, disse a fundadora da Associação Mães da Sé.

Segundo o Ministério, só em 2024 o Brasil registrou 81.022 desaparecimentos, dos quais 55.159 foram elucidados — uma taxa de 68% de localização.

Funcionalidades do sistema

De acordo com Isabel Figueiredo, diretora do Sistema Único de Segurança Pública, o cadastro será desenvolvido em etapas. As duas primeiras já estão no ar:

A diretora reforçou que os registros devem ser feitos imediatamente, sem esperar 48 horas, como ainda determinam alguns protocolos estaduais.

“Quanto antes o Estado brasileiro souber desses casos, maior a chance de localizar essas pessoas com vida”, destacou.

O cadastro foi previsto pela Lei 13.812/2019, mas só agora se concretiza. Para Nicolas Olivier, chefe da delegação regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na América do Sul, a medida chega em boa hora:

“Um cadastro unificado não é apenas uma lista de nomes. É um verdadeiro sistema de gestão de informações, capaz de cruzar dados, gerar pistas e apoiar tanto na busca quanto na prevenção do desaparecimento”, afirmou.

O secretário nacional de Segurança Pública, Mario Luiz Sarrubbo, também ressaltou a importância da iniciativa:

“A sociedade brasileira e o poder público têm um grande débito com as famílias de desaparecidos. Precisamos conscientizar não só o Estado, mas também a sociedade civil”.

Histórias que mantêm viva a esperança

A dor da incerteza é partilhada por Kátia Liberato, de Brasília. Aos 15 anos, em 1999, ela viu sua mãe Mirian desaparecer após uma discussão familiar. Sem um sistema integrado, percorreu cidades de Goiás e Ceará em busca de informações, gastando o pouco que a família tinha.

Hoje, aos 44 anos, ela acredita que a nova plataforma representa uma chance renovada:


“Esse cadastro unificado renova minhas esperanças. Ainda penso em encontrar minha mãe. É uma boa notícia, mesmo que tenha demorado”.

(com informações Agência Brasil)

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