Camargo anuncia ensino em período integral em todas as escolas municipais em 2022

Foto: Wellington Alves

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Confira entrevista exclusiva com o prefeito sobre os projetos para 2022, que incluem construção do PA Infantil e criação da Escola do Empreendedor 4.0

O prefeito de Arujá, Luís Camargo (PSD), informou que todos os alunos do Ensino Fundamental, das escolas municipais, poderão estudar em tempo integral a partir de 2022. As atividades no contraturno não serão obrigatórias, mas fazem parte da estratégia da gestão municipal de melhorar a qualidade do ensino, após quase dois anos de aulas híbridas por causa da pandemia.

Camargo concedeu entrevista exclusiva ao Arujá Repórter, nesta terça-feira (28), no Paço Municipal, no Centro.

Os pais não precisarão matricular novamente os seus filhos para participar das atividades no contraturno. Além de aulas de reforço nas disciplinas básicas, como Matemática e Língua Portuguesa, os estudantes terão acesso a novas opções, como teatro, dança, música e artes marciais.

Outra novidade na área da Educação será o ensino de Libras para todos os alunos. Além disso, a Secretaria Municipal de Educação comprou 861 notebooks e 507 tablets, que serão disponibilizados para os alunos nas escolas.

A proposta é que os estudantes fiquem seis horas diariamente nas escolas municipais. Os detalhes sobre a implementação do contraturno devem ser informados no próximo mês.

Camargo recebeu o Arujá Repórter para fazer uma avaliação sobre os desafios da cidade e as perspectivas para 2022.

Confira a entrevista completa

Antes de o senhor assumir o mandato havia o risco de perda da verba do Hospital de Arujá. Qual é a perspectiva dessa obra?

Camargo – Esse era o maior risco. Fizemos em tempo recorde o projeto executivo. Foi o primeiro ato do meu governo esse projeto. É uma obra grandiosa. São 10 mil metros quadrados de hospital e agora a questão de uns 10 dias conseguimos a aprovação do projeto executivo na Vigilância Sanitária, que esse era o calcanhar de Aquiles. Estamos na etapa final de aprovação na Caixa Econômica Federal. Demos entrada em toda a documentação. Não tememos risco. Conseguimos salvar essa verba e mais do que isso. Lá atrás eu já dizia que, quando se concebeu isso em R$ 35 milhões, já se sabia que não era possível montar um hospital de grande porte com esse valor. A novidade é que nós conseguimos também junto a Caixa um complemento dessa verba, com juro subsidiado, 15 anos para pagar. A questão financeira do hospital está resolvida. Estamos na expectativa que a Caixa nos libere a primeira parcela para licitarmos a obra. Tenho fé que no primeiro trimestre a gente lance a pedra fundamental.

Qual será o valor total da obra?

Camargo – Estimasse R$ 65 milhões. A Caixa vai fomentar (R$ 30 milhões), mas essa é a primeira ideia. Nada obsta que consigamos verba federal para não onerarmos a Prefeitura. O importante é que vai ter dinheiro para a obra toda, até porque não tem nada pior do que começar uma obra e não terminar. A ideia é entregar o hospital em 2024.

Como foi retomar tantas obras paradas?

Camargo – A Escola do Jordanópolis nem tinha começado. O prédio do INSS nós destravamos agora no Tribunal de Contas. Conseguimos readequar o projeto. Se dizia que parte da obra estaria comprometida e não era verdade. Está em perfeita condições. Licitamos e vamos iniciar no início de janeiro. O Fácil nós conseguimos entregar. Haviam construído um prédio, mas não tinha infraestrutura nenhuma, cabeamento de rede, internet, ar-condicionado, iluminação frágil, uma série de defeitos e infiltrações. Revitalizamos a obra, aproveitamos e fizemos isso também na fachada da Prefeitura. A população merece ser recebida num ambiente público com ordem, limpeza e boa aparência. No Fácil, o ambiente é personalizado, com cadeiras, climatizado, senha. Ninguém demora mais do que 15 minutos para ser atendido.

É difícil imaginar que Arujá não tinha um Fácil. E agora vai ter um Poupatempo. Como foi essa negociação?

Camargo – Esse Poupatempo não viria para Arujá. Ele iria para outra cidade. Nós diligenciamos com o Rodrigo Garcia (vice-governador) no início da gestão e conseguimos trazer para cá o Poupatempo. Foi uma conquista. Nós já estamos com a chave do prédio reformado, no JM 600, bem pertinho da rodoviária, com fácil acesso e estacionamento. Temos expectativa de inauguramos no começo de fevereiro. Teremos também o Procon, que é uma demanda antiga da cidade. Também tivemos conquistas importantes como a reabertura da Sabesp e a instalação da Sala do Empreendedor. É o local para desburocratizar o investimento em Arujá. Não importa o tamanho do empreendimento, a pessoa entra na Prefeitura, vai na Sala do Empreendedor, tira as dúvidas e tem uma pessoa para acompanhar. Tivemos o licenciamento ambiental municipal. O Código Ambiental está sendo enviado para a Câmara para aprovação. Outra realização foi a Certidão de Uso e Ocupação de Solo, que demoravam meses e agora sai em 30 segundos pela internet. São iniciativas para fomentar emprego e renda.

Falando em emprego e renda, dados do Caged apontam que em Arujá foram criados quase 1,8 mil vagas com carteira assinada neste ano, ante um déficit de 46 postos de trabalho em 2020. A que se deve esse resultado?

Camargo – As políticas públicas refletem isso. O trabalho que fizemos com o Arujá Emprega, tiramos de onde era o PAT, que era afastado e trouxemos para o Centro, passamos a atuar como uma agência de empregos pública. Vamos nas empresas, identificamos as vagas, divulgamos isso, orientamos o trabalhador, desde como preparar o currículo até como se portar em uma entrevista. Através de parcerias com o Senai nós capacitamos mais de mil arujaenses, nas mais variadas funções, como operador de empilhadeira, operador de CRC e eletricista. As empresas veem a cidade como um local para investir e o trabalhador tem local para ser bem recebido e capacidade. Espero que os números sigam nos surpreendendo positivamente ano após ano.

Na Câmara, o vereador Abelzinho vai assumir a presidência. Uma coisa que ele disse, após ser eleito, foi “nosso partido é Arujá”, uma frase muito utilizada pelo senhor depois da eleição à Prefeitura. Como espera o diálogo com o Legislativo?

Camargo – Quando chega emenda federal e a Câmara aprova, ela não está aprovando para o prefeito, está aprovando para a população. Tudo que encaminhamos e pedimos agilidade a Câmara atendeu. Neste ano foi uma grande parceira, nos auxiliou em uma gestão conjunta. Fiquei muito feliz de ouvir também do nosso novo presidente que nosso partido é Arujá, porque é mesmo. Temos que reconstruir Arujá e parceria do Executivo e Legislativo é importante para isso.

O que é o projeto Escola do Empreendedor 4.0?

Camargo – Esse projeto é algo que nos deixa muito felizes. Identificamos na cidade uma grande demanda das empresas de profissionais com capacitação em tecnologia. Temos muitas indústrias que se ressentem de ter um profissional morador de Arujá que tenha essa competência. A própria pandemia acabou ampliando ainda mais o leque de atuação de profissões. O e-commerce se tornou algo preponderante. Nessa linha de capacitação, vamos oferecer cursos de tecnologia. Nós vamos iniciar com 500 alunos, 15 cursos na área de tecnologia e teremos a primeira turma em março. O objetivo é trabalhar o jovem para que fique apto para se desenvolver. A empresa tem o maior interesse de contratar o morador de Arujá e o morador precisa ficar aqui. A qualidade de vida melhora quando a pessoa mora próximo ao emprego. Aumenta a produtividade nas empresas e fomenta o comércio local.

Vai ser EAD ou presencial?

Camargo – Vai ser presencial. Já estamos com os equipamentos. Vai ser na avenida João Manuel, perto do supermercado Styllus.

O contrato para manutenção dos leitos de UTI covid se encerra nesta sexta-feira. Ele será prorrogado?

Camargo – A questão da covid é algo que todos esperássemos que teríamos paz no próximo ano, mas com essa nova variante ômicron estamos preocupados. A nossa decisão junto com a Secretaria Municipal de Saúde foi manter uma quantidade mínima de leitos, ainda por 120 ou 180 dias. Estamos terminando de formatar isso, mas a expectativa é manter cinco ou seis leitos respiratórios e três de UTI para ter um suporte básico para uma eventual necessidade. Eles vão continuar no PAM Barreto. A ideia era extinguir, mas não era o momento. O investimento será muito menor, por preocupação. Nem o Governo Federal, nem o Estadual anunciaram nada (para ajudar os municípios). Acho absurdo neste momento de pandemia, difícil, com gripe, que a saúde esteja tão politizada. Ao invés de se buscar soluções, todo mundo silenciou.

Estamos vendo uma demora do Governo Federal em liberar doses da vacina contra a covid para crianças. Como a cidade planeja imunizar esse público?

Camargo – Olha, nós vamos disponibilizar as doses e seguramente a procura vai ser grande. As pessoas devem procurar a vacinação. É uma opção de cada um, do pai, da mãe. O importante é nós disponibilizarmos. Nós somos referência à nível Brasil em vacinação. Temos quase 90% da população com a segunda dose. Temos expectativa até o final de março aplicar a dose de reforço em toda a população vacinável.

Que outros projetos o senhor tem para 2022?

Camargo – 2022 temos algumas coisas a acontecer. Na área de esportes, vamos poder voltar a oferecer oportunidades esportivas. Várias modalidades esportivas serão implementadas. A gente vai anunciar no dia 10 de janeiro uma grande virada no esporte. Vamos, inclusive, inaugurar pontos de wi fi livre em vários locais da cidade, como os equipamentos esportivos. PCD vamos dar atenção especial no esporte. Na educação, a grande novidade será o ensino em tempo integral. Todas as unidades municipais vão ter disponibilizado o contraturno. Estamos terminando de formatar isso e colocaremos o ensino em tempo integral em toda a rede municipal, com o Ensino Fundamental. Ainda não é possível nas creches.

Agora no início do ano ensino integral para toda a rede?

Camargo – Agora. Temos 10.149 alunos, mas serão contemplados somente os do Ensino Fundamental com o contraturno. Nós tivemos perda da qualidade de ensino com a pandemia, embora todo esforço com o ensino híbrido. Sentimos a necessidade de reforço nas aulas de português e matemática, mas vai ser para sempre. Vamos incluir atividades lúdicas, teatro, dança, música, artes marciais.

Essas atividades serão nas próprias escolas?

Camargo – Sim, a criança vai para a escola e fica turno e contraturno. Serão seis horas de atividades. Outra novidade é que estamos iniciando o ano com 861 notebooks e 507 tablets já adquiridos. Esses equipamentos ficarão nas escolas, nas salas de aula, para os jovens se familiarizarem. Também o curso de Libras para toda a rede. Todos os alunos vão ter curso de Libras e os professores terão formação e Libras. Isso vai ajudar na progressão acadêmica. Aliás, resolvemos agora a dívida moral e financeira com os professores da rede, que desde 2012 faziam cursos, progrediam intelectualmente e não financeiramente. Na Saúde, vamos começar a implantar o PA Infantil, retomar a obra do INSS no primeiro trimestre.

O PA Infantil será bancado pela Prefeitura?

Camargo – Sim, mas nós temos uma promessa do Governo do Estado de que vai viabilizar isso, mas temos condições de tocar essa obra, que custa R$ 9 milhões. Vamos concluir o ano com superávit de R$ 18 milhões. Temos recurso, mas vamos buscar a verba do Governo do Estado. A obra esperamos terminar em 2022, mas a inauguração deve ser no ano seguinte, porque vai ser preciso ocupar.

A revitalização da avenida Amazonas começa em janeiro?

Camargo – Temos expectativa a partir do dia 10 fazer o fechamento daquela região e começar a trabalhar. Na Educação, também vamos terminar a escola do Jordanópolis.

Ainda sobre a questão do período integral, os pais fizeram as matrículas para o período regular. Eles deverão fazer as matrículas novamente?

Camargo – Não, vai ser facultativo a participação nas atividades do contraturno. O objetivo maior é que façam o reforço escolar, mas nenhum pai é obrigado a deixar o filho.

Antes de assumir a gestão, o senhor disse que Arujá precisava virar a página. Após quase um ano, o senhor acredita que conseguiu virar a página?

Camargo – Penso que sim. Digo isso porque, felizmente, Arujá voltou a ser vista como uma cidade promissora, ordeira, querida. Fizemos, inclusive, esse evento de Natal, enfeitamos a cidade. A Câmara ajudou com 50% da verba. E hora vemos Arujá sendo notícia na mídia de maneira positiva, com realizações. Isso nos deixa muitos felizes, porque estávamos todos cansados de ver notícias ruins do nosso município. Voltamos a crescer com sustentabilidade e a população acreditar na cidade. A população precisa gostar da cidade, mas a cidade precisa gostar da população. A política deve ser feita para o bem das pessoas e esse é o nosso desejo. Temos muito por fazer. Não realizamos nem um décimo do que desejávamos, mas certamente iremos cumprir totalmente o nosso plano de governo.

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