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Doria vai arriscar milhares de vidas se fechar a Furp

Valter Campanato/ABr

Empresa estatal tem déficit de R$ 100 milhões.

O quanto vale uma vida? Essa é uma pergunta sem resposta. Algo impossível de se chegar a um resultado. Mas é o que o governador João Doria (PSDB) deveria se questionar. Ele planeja encerrar as atividades da Fundação Para o Remédio Popular (Furp), o que pode deixar milhares de paulistas sem medicamentos.

A Furp é investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo desde 2017 por irregularidades. Neste ano, a Assembleia Legislativa de São Paulo instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a empresa. As dívidas da fundação superam R$ 100 milhões.

Em suas campanhas, Doria vende a ideia de ser gestor e não político. Contudo, o que mais falta na Furp é justamente gestão. Sobra incompetência. As fábricas de Guarulhos e Américo Brasiliense possuem ociosidade superior a 50%. Ou seja, em mais da metade do período de trabalho a empresa não produz medicamentos.

Por incrível que pareça, a ociosidade não é o pior nessa novela. Em 2013, ainda na gestão do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), a unidade de Américo Brasiliense passou a ser administrada por uma parceria público-privada: a Concessionária Paulista de Medicamentos (CPM).

Pela forma como foi elaborada a PPP, a Furp passou a produzir remédios mais caros do que a iniciativa privada. A empresa, que já tinha maquinário antigo, virou inviável. Para romper o contrato, o Estado teria que pagar R$ 150 milhões.

Agora, analise a situação. Uma das funções da Furp é produzir medicamentos negligenciados, ou seja, que não são financiados pelo setor privado. Esses remédios ajudam milhares de pessoas que dependem do sistema público – e em especial da Furp – para sobreviver. Como o Estado vai garantir que a iniciativa privada vai investir nos remédios negligenciados, se até agora ela não se mobilizou para isso? 

A Furp não pode fechar. Pelo bem das famílias e do Brasil. Cabe à sociedade civil e o poder político cobrar o governador para recuar em sua proposta.  

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