Se não consegue liderar a própria legenda, como presidente apresentará pautas ao Congresso?
Paz política é algo que não vemos no Brasil desde 2013. Os protestos de junho daquele ano, contra o aumento da tarifa de ônibus e a corrupção, subiram o tom de insatisfação da população contra os políticos. As tensões subiram. A presidente Dilma Rousseff (PT) sofreu impeachment. Michel Temer (MDB) quase tomou o mesmo caminho. Jair Bolsonaro (PSL), por sua vez, não corre por ora risco de cair, mas também não governa.
Bolsonaro agiu diretamente para influenciar seu partido a colocar o seu filho, Eduardo Bolsonaro, como líder do PSL na Câmara dos Deputados. E foi chamado de “vagabundo” pelo então responsável pela bancada, Delegado Waldir. O presidente ainda tirou Joice Hasselmann da liderança do governo no Legislativo, o que deixou a prefeiturável paulistana furiosa e destilando críticas ao bolsonarismo.
A briga no PSL tem muito mais do que uma disputa entre os Bolsonaros contra a ala do presidente do partido, Luciano Bivar, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal na semana passada por causa da investigação das candidaturas laranjas, nas eleições do ano passado. Está em jogo fundo eleitoral, tempo de televisão e poder, essencialmente, poder.
O que era o PSL antes de Bolsonaro? Um partido de aluguel, sem plataforma clara, que em cada cidade ou Estado, sempre que possível, apoiava o Executivo. Em Guarulhos, por exemplo, foi governista nas gestões petistas. Na Assembleia Legislativa – até 2019 – fez parte da base nas administrações do PSDB.
Com Bolsonaro, o PSL ganhou sobrevida, já que a sigla conseguiu superar, com folga, a cláusula de barreira instituída em 2018. Sem Bolsonaro, a salvação é uma fusão, possivelmente com o DEM.
A verdade é que a eleição de Bolsonaro foi, praticamente, uma candidatura independente. Não há coesão entre os filiados do PSL. E dificilmente vai existir. Mas se o presidente da República não consegue sequer direcionar as ações políticas na legenda que o elegeu, como fará com o restante do Congresso? Assim como foi com a reforma da Previdência, as pautas de interesse econômico só terão andamento se houver vontade do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM).
A partir de agora, Bolsonaro terá que aprender a fazer um governo de minoria. Entretanto, se a minoria se restringir apenas à sua família, o risco de um impeachment, hoje descartável, deve crescer consideravelmente.
