Projeto de ex-alunos da USP e do ITA usa tecnologia para valorizar a experiência e combater o etarismo no Brasil; lançamento acontece nesta sexta-feira (22)
Ex-alunos da USP e do ITA lançaram o projeto Inova Sênior, iniciativa que busca reconectar engenheiros com mais de 60 anos ao mercado de trabalho por meio da tecnologia e da inovação, valorizando o capital intelectual brasileiro e combatendo o etarismo em um país que, segundo o IBGE, terá 37,8% da população composta por idosos em 2070.
Como nasceu a ideia
O diretor da PoliAlumni (plataforma de ex-alunos da Escola Politécnica), Duperron Ribeiro, explica que a ideia surgiu visando a aproveitar o bônus de experiência da população, que vem envelhecendo, de acordo com os estudos demográficos do IBGE.
“Temos um bônus de longevidade e, segundo alguns autores, como Peter Diamandis, as pessoas com mais de 60 anos têm a possibilidade de trabalhar mais de 30 anos ainda. A gente nunca teve tantas pessoas com experiência, saúde e disposição para continuar contribuindo. O Inova Sênior veio para aproveitar essa energia toda. De um lado, combatemos esse desperdício de conhecimento e também o isolamento das pessoas, que causam uma série de problemas psicológicos.”
Além disso, o Brasil possui uma enorme falta de engenheiros, que pode ser suprida por esses profissionais com grande experiência e que estão prontos para contribuir.
“Estamos numa fase exponencial da tecnologia e da evolução. Se não tivermos engenheiros para acompanhar esse processo, o Brasil pode ficar muito para trás. É assim que surgiu a ideia”, comenta Duperron.
Como vai funcionar a reintegração
Um dos diferenciais do Inova Sênior é que os profissionais já chegam com uma bagagem sólida e ampla experiência técnica. Assim, não precisam passar por uma nova formação, mas apenas por atualizações pontuais e pela conexão com os desafios atuais do mercado. Para isso, a iniciativa utiliza inclusive inteligência artificial, facilitando o “match” entre engenheiros e oportunidades de trabalho.
“É como se fosse uma ponte: de um lado, os engenheiros com muita experiência e vontade de ajudar, do outro, empresas, governo, universidades, startups, todo mundo que enfrenta desafios concretos. A ideia é que essas pessoas possam encontrar tanto empresas que necessitem das suas habilidades quanto formarem empresas novas. Inclusive, empresas novas de tecnologias para fazerem inovação. Conectar as pontas por meio de uma plataforma digital, inteligência artificial e eventos presenciais, para que acessem recursos de pesquisa, desenvolvimento e inovação e se envolvam, se atualizem em novas tecnologias, encontrem parceiros para empreender e juntos façam novas empresas”, explica Duperron.
O projeto Inova Sênior aproveita a experiência de engenheiros com mais de 60 anos, oferecendo atualizações pontuais e conexão com desafios atuais, usando até inteligência artificial para integrá-los rapidamente ao mercado, sem risco de fuga de cérebros.
Metas iniciais, futuras e lançamento
O Inova Sênior começa com 200 engenheiros da Poli e do ITA, mas, segundo Duperron, a ideia é expandir rapidamente o projeto para toda a engenharia do país.
O lançamento do Inova Sênior acontecerá nesta sexta-feira (22), na Maturifest, o maior evento da América Latina sobre trabalho, empreendedorismo e longevidade 50+.
“O futuro também se constrói valorizando a experiência. Quando incluímos os engenheiros de 60+, ajudamos a combater o isolamento, a depressão e, acima de tudo, trazemos de volta ao mercado essas mentes brilhantes, cheias de repertório e de humanidade. É um convite a olhar para a longevidade não como um peso”, diz Duperron.

