Rodovia deve ser acessível para motoristas, ciclistas e pedestres.
Todos os anos a concessionária CCR Nova Dutra reclama dos perigos dos romeiros que peregrinam até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, a pé, pela Rodovia Presidente Dutra. E anualmente cresce o número de pessoas que fazem essa jornada de fé. É algo que merece reflexão.
Arujá é impactada diretamente pelos romeiros, já que a maioria passa pelo trecho da Dutra na cidade. No ano passado, foram 20 mil peregrinos. Em 2019, por enquanto, 29 mil fizeram o percurso. E a tendência é de alta nos próximos anos.
Tive a oportunidade de, como repórter, acompanhar um grupo de mais de 100 romeiros, de Itaquera, na capital paulista, até Aparecida, em 2014. Andei mais de 100 km e dormi em um hotel abandonado e em dois postos de gasolina. Nessa ocasião, pude constatar a fé de tantas pessoas que pedem a intercessão da padroeira do Brasil. Mas conversei também com peregrinos que foram atropelados, roubados e agredidos.
A Nova Dutra pede que os romeiros façam o Caminho da Fé, um itinerário oficial do Santuário – dá até para ganhar certificado – e com percurso mais seguro. O pedido é lógico, contudo, não dá para negar que o “gosto popular” dos romeiros é a margem da Dutra.
O Governo Federal, o Governo Estadual e a concessionária precisam se unir para dar melhores condições para os peregrinos. Não adianta esperar que um trajeto que é feito há décadas seja esquecido. Cabe às autoridades garantir melhores condições aos caminhantes. Afinal, a rodovia é só lugar para carros? Deve ser acessível para pedestres e ciclistas também. É hora de levar essa discussão à sério e deixar de reclamar dos romeiros.
