Evento gratuito será realizado entre 21 e 24 de outubro, em formato híbrido, e abordará 12 eixos temáticos
Entre os dias 21 e 24 de outubro, a USP (Universidade de São Paulo) sedia o 1º Congresso Internacional sobre Deficiências, em formato presencial e on-line. Organizado pelo Diversitas/USP (Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos), ligado à FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), o evento é gratuito e já soma mais de 1.800 inscritos de 20 estados brasileiros e de países como México, Escócia, Canadá e Estados Unidos.
Diversidade, direitos e participação social
Com o tema “Diversidade, Direitos e Corpos: Participação Social e Barreiras no Mundo Contemporâneo”, o congresso pretende discutir a deficiência sob múltiplos aspectos — não apenas biomédicos, mas também sociais, históricos, políticos e culturais. A programação inclui conferências, mesas-redondas, rodas de conversa, painéis temáticos e apresentações artísticas.
Os debates estão divididos em 12 eixos temáticos, contemplando trabalhos apresentados em forma de comunicações orais, pôsteres e produções artísticas, expostos exclusivamente na modalidade presencial.
Abertura internacional
A conferência de abertura terá como tema “Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos”, conduzida pelo mexicano Carlos Ríos Espinosa, especialista da ONG Human Rights Watch e ex-integrante do Comitê da ONU sobre os CRPD (Direitos das Pessoas com Deficiência).
Inclusão como princípio
Segundo o professor Paulo Eduardo Capel Cardoso, da Faculdade de Odontologia da USP, o congresso reforça a máxima “Nada sobre nós, sem nós”, ao envolver pessoas com e sem deficiência na organização e nas discussões.
“Se você vai discutir deficiência visual, precisa ter alguém com deficiência visual para dialogar e dar feedbacks. O evento é todo misturado, com diálogo entre universidade e sociedade”, afirma.
A professora Eucenir Fredini Rocha, da Faculdade de Medicina da USP e uma das coordenadoras, reforça que o tema ultrapassa a saúde.
“A deficiência é uma questão social, histórica e política. O congresso vai tratar de barreiras, acessibilidade, vida na cidade, cultura e esporte”, explica.
Tecnologia assistiva em destaque
Capel, que perdeu parte significativa da visão nos últimos anos, destaca a importância da tecnologia assistiva como ferramenta de autonomia. Ele desenvolveu, em parceria com a UFSCar, equipamentos de baixo custo em impressão 3D, como um guia para colocar pasta de dente na escova e um dispositivo para servir água sem derramar.
“Hoje qualquer celular tem o modo acessibilidade. Eu consigo trabalhar normalmente com ele. Se eu saio sem o celular, me perco”, exemplifica o professor.
Dados da desigualdade
Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem cerca de 14,4 milhões de pessoas com deficiência (7,3% da população). A PNAD Contínua mostra índices de desigualdade:
- Analfabetismo: 19,5% entre pessoas com deficiência, contra 4,1% dos demais;
- Mercado de trabalho: 29,2% de taxa de ocupação, contra 66,4% das pessoas sem deficiência;
- Renda média: R$ 1.860, cerca de 45% menor do que a da população sem deficiência (R$ 2.690).