Medida é vista nos bastidores como caminho para Reynaldinho ser candidato em 2025
Com apoio da maioria dos vereadores, o plenário da Câmara de Arujá aprovou, em 1ª discussão e votação, o projeto de Resolução 42/2024, que altera dispositivos do Regimento Interno da Casa e permite, entre outras medidas, a eleição de suplentes para os cargos de presidente, vice-presidente, 1º e 2º secretários. O tema precisa ainda passar por segunda votação.
A proposta de mudança suscitou debate entre os parlamentares e tentativas de adiamento da votação. Os únicos contrários foram os vereadores Danilo, Cris do Barreto e Paulinho Maiolino, todos do PSD.
“Aprovar essa medida é desmerecer e zombar da cara dos vereadores eleitos”, criticou Danilo.
Danilo assumiu a cadeira na Casa como suplente após o afastamento de Gabriel dos Santos (PSD), mas conseguiu ser eleito e conquistar a vaga como titular a partir de 2025. Já Paulinho Maiolino deu apoio ao colega de bancada e pediu vista do projeto até janeiro, mas a proposta foi rejeitada pela maioria.
Presidente da Câmara por oito oportunidades, Abelzinho Larini (PL) defendeu a legitimidade da Casa e, principalmente da Mesa Diretora, em propor alterações no Regimento Interno assim como ocorre em outras Casas Legislativas, como o Senado ou a Assembleia Legislativa.
“A proposta é legítima, legal e está sendo discutida em plenário. Não estamos desmerecendo ninguém”, refutou.
Luiz Fernando, que atuou como suplente por quase quatro anos durante a legislatura anterior, se posicionou favorável à medida e disse que “nenhum vereador (ainda que na suplência) deve se sentir cerceado no seu direito de fazer parte da Mesa”.
Argumento semelhante foi utilizado por Vinícius Pateta (PSD), que está na primeira suplência do PSD na próxima Legislatura. Ele disse que não há qualquer garantia de que algum vereador sairá do mandato para assumir um outro cargo, abrindo vaga para um suplente.
“Independentemente de como a pessoa entrou, ela teve de conquistar votos para chegar aqui e no plenário o valor do voto de um suplente é o mesmo de um titular”, salientou.
O projeto ainda determina que, em caso de retorno do titular, uma nova eleição deverá ser convocada no prazo de 48 horas para o cargo vago.
Também prevê alteração na data de realização da eleição: no início de uma nova Legislatura, como é o caso, a convocação da sessão extraordinária para eleição dos novos membros da Mesa deverá ser feita em até 72 horas após a posse; nos demais anos da Legislatura, entre os dias 10 e 20 de novembro.
A articulação é vista como uma possibilidade para o atual presidente Reynaldinho (PSD) disputar a reeleição. Isso porque ele ficou na segunda suplência do PSD. Entre os 15 vereadores eleitos, nenhum jamais foi presidente da Câmara. O PSD terá a maior bancada a partir de 2025, com seis vereadores. Se dois deles assumirem secretárias ou não tomarem posse por qualquer outro motivo, Reynaldinho assumirá como suplente e poderá disputar a eleição à presidência. Contudo, o cargo é cobiçado pelos vereadores Danilo, Cris e Paulinho, justamente de seu partido e que votaram contrariamente à proposta.
