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Arujá amplia e fortalece rede de apoio à mulher vítima de violência doméstica

Foto: Imprensa/CMA
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Arujá amplia e fortalece rede de apoio à mulher vítima de violência doméstica

Arujá está comprometida com o enfrentamento à violência doméstica. É o que demonstrou o Seminário: “Sofreu violência doméstica? Não se cale!” realizado pela Câmara Municipal no último dia 31 de agosto por iniciativa da vereadora e vice-presidente do Legislativo, Cris do Barreto (PSD). A atividade, que encerrou o Agosto Lilás, reuniu autoridades e agentes públicos para discutir o problema da violência  – suas causas e formas de prevenção – e apresentar ao público como funciona da rede de apoio à mulher que sofre agressão no município.

Delegacia da Mulher

Arujá conta com uma série de equipamentos e serviços públicos de apoio a mulher agredida. Os serviços já existiam, mas ganharam um inegável reforço com a instalação da Delegacia dos Direitos das Mulheres (DDM) em março deste ano. Segundo a delegada Vanessa Torres Azevedo Chagas nos últimos cinco meses, foram expedidos 100 pedidos de medidas protetivas.

“Graças ao trabalho de nossa equipe o atendimento é rápido. Em até dois dias, conseguimos a liberação da medida”, afirmou. Apesar de a DDM funcionar de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, os casos registrados em feriados e finais de semana são encaminhados à delegada. “Temos um atendimento diferenciado”, garantiu ao pedir que o trabalho seja divulgado ao maior número de pessoas possíveis.

GCM

A Patrulha Maria da Penha está acompanhamento pelo menos 68 mulheres que conseguiram medida protetiva e têm seus números de telefone cadastrados no aplicativo 153. O serviço funciona e é coordenado pela Guarda Civil Municipal (GCM) de Arujá.

“A partir do instante em que a mulher cadastra seu número e nos aciona iremos ao encontro dela em qualquer lugar que estiver”, explicou Fabiana Silva e Giséle Lucena, guardas civis responsáveis pelo Patrulha. O aplicativo pode ser baixado em qualquer celular e qualquer mulher, mesmo sem medida protetiva, pode acionar o serviço. Clique aqui e baixe o aplicativo.

Assistência Social

Mulheres em situação de violência recebem atendimento psicossocial e podem ser inseridas em programas sociais de transferência de renda por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social. Nesse caso, a assistência pode ser acionada por meio dos CRAS – Centros de Referência da Assistência Social, que farão o encaminhamento adequado, inclusive, para que seja possível a retirada da vítima de sua residência.

A Prefeitura, mesmo não tendo uma casa destinada ao abrigo de mulheres, oferece a possibilidade de estadia em pensões, hotéis ou serviços especializados em outros municípios. Segundo a secretária de Assistência Social, Marina Bernardo da Costa Antônio, as mulheres já são maioria em programas sociais oferecidos ou mantidos pela Prefeitura.

No caso do Bolsa Família, por exemplo, das 4084 famílias beneficiadas, 3750 são comandadas por mulheres. Além dos CRAS, Arujá também conta com o CREAS – Centro Especializado de Assistência Social, que trata diretamente de questões relacionadas à violação de direitos. O CREAS trabalha em parceria com a DDM e outros órgãos de atendimento. Clique aqui e acesse os serviços

Conselho da Mulher

O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) existe desde 2008 e é formado por dez conselheiras, sendo cinco do Poder Público e cinco da sociedade civil. O CMDM tem função consultiva, deliberativa e de fiscalização. As reuniões realizadas todas as últimas quintas-feiras do mês são abertas à participação de qualquer cidadão.

A próxima inclusive será realizada na Câmara Municipal, conforme anunciou a presidente do CMDM, a advogada Regina Ávila durante o evento. Ela falou da importância da rede e da parceria entre as mulheres. “Sem apoio, a mulher não consegue sair do ciclo de violência. Precisamos ter sororidade, as mulheres precisam dar apoio umas às outras mulheres para que as vítimas não sintam vergonha de admitir e denunciar a violência”.

Rede integrada

Responsável pela organização do Seminário, a Cris do Barreto foi enfática em sua fala na abertura do evento sobre a necessidade de integração da rede de apoio à mulher. Ela afirmou que toda a mulher já foi vítima de algum tipo de violência e que esse problema deve ser uma preocupação de toda a sociedade.

“Sou a única mulher no Legislativo, mas trabalho com 14 homens que me respeitam e que também apoiam essa causa”, pontuou ao finalizar: “A Câmara está unida e integrada à Prefeitura para garantir que nenhuma mulher fique para trás. Esse é nosso compromisso”, disse.

Prevenção

A redução dos índices de violência também depende de levar o assunto aos bancos das escolas, disse o prefeito Luís Camargo (PSD), em sua fala de abertura. Ele classificou como “abominável” a violência contra a mulher e disse que “medidas de conscientização são imperiosas para equalizar direitos de homens e mulheres”.

Rompendo o ciclo

Especialistas apontaram a necessidade de as mulheres reconhecerem sinais de relacionamentos abusivos antes de a situação chegar a extremos como a violência física e até o feminicídio e investir na independência financeira como forma de romper ciclos de violência. A situação, no entanto, não é simples, reconhecem.

“Não deixe levantar a mão para você e muito menos abaixá-la”, disse a advogada Eliana Elias, profissional com mais de 30 anos de experiência na área de assistência social. “Veja os sinais. Veja como seu namorado trata a mãe, a irmã, a ex e busque sua independência financeira. Marido não é emprego, não é profissão, não é herança”, pontuou de forma assertiva. Ela também defendeu a ampliação de projetos habitacionais como política de assistência à mulher agredida.

A psicóloga Camila Britto ressaltou que a dificuldade de a mulher sair de um relacionamento abusivo envolve um processo de dependência emocional nociva. “Nenhuma relação começa abusiva. Ela começa boa, na fase que chamamos de “love bombing” – um  bombardeio de amor. Depois, essa pessoa que nas redes socias a mulher até chama de “presente de Deus” começa a tirar seus pilares de confiança, afastando-a das amigas, dos parentes, a proibindo de estudar e ter uma profissão. Neste momento, a mulher começa se sentir sozinha”, detalhou.

Camila ainda explicou que as outras fases são da desvalorização e do descarte. “Normalmente, o homem a desqualifica e depois pede desculpa. A mulher perdoa e a relação entre em um ciclo de amor novamente”. Esse é o ciclo da violência. Além da dependência emocional, a falta de apoio e a vergonha são situações que também impedem a denúncia da violência. “Por isso, a importância dos grupos psicoterapêuticos, do atendimento especializado e da rede para que a mulher não se sinta só”.

Homens pela causa

O presidente da Câmara de Arujá, Gabriel dos Santos (PSD) e o comandante da PM em Arujá, capitão Anderson Pelegrine também falaram no evento. Gabriel reconheceu que a sociedade é machista e que o homem se incomoda “quando a mulher tem seu potencial reconhecido”. Já Pelegrine afirmou que a violência contra a mulher não pode ser naturalizada. “Não podemos permitir que seja aceitável ou tolerável em nossa sociedade algum tipo de violência contra a mulher”.

Rede fortalecida

Presidente do Fundo Social de Solidariedade, Clau Camargo anunciou que Arujá assinou termo de adesão para instalação de uma Casa de Apoio à Mulher no Município. A proposta vai possibilitar um maior fortalecimento da rede. “Espero de coração que sejamos beneficiados”.

Clau ainda ressaltou a importância do programa Prospera Família que atende 290 famílias chefiadas por mulheres na cidade. “O Fundo Social e a Prefeitura estão aqui para dar suporte”, pontuou ao conclamar as mulheres à denúncia. “Não aceitem qualquer tipo de violência. Por isso, criamos essa rede de proteção. Vocês terão para onde ir”, enfatizou.

Se você não conseguiu assistir ou participar do Seminário veja o vídeo completo no canal da Câmara no YouTube.

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