Cúpula militar espera neutralidade brasileira.
O clima de tensão aumenta com as constantes ameaçadas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e autoridades iranianas, desde que um drone norte-americano matou o general iraniano Qassem Soleimani, na semana passada, em Bagdá, no Iraque. O presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, já sinaliza uma preferência na disputa pela posição norte-americana, o que desagrada parte da cúpula militar.
Desde a Segunda Guerra Mundial, quando enviou tropas para combater os nazistas, o Brasil tem preferido a mediação dos conflitos. O país, apesar de não conseguir o sonhado lugar no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), é conhecido pelo diálogo. A Missão de Paz do Brasil no Haiti, por exemplo, foi considerada de grande sucesso para o processo de reconstrução do país.
Soleimani liderava a Força Quds, uma unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã com atuação no exterior. Na esfera política, ele estava abaixo apenas do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Para os EUA, o Quds é um grupo terrorista. Após a morte do general, o Irã decretou o fim da restrição ao enriquecimento de uranio, um dos mecanismos utilizados para se fazer bombas nucleares. Os iranianos, contudo, dizem que seu programa tem fins pacíficos, focado apenas na geração de energia.
Enquanto crescem nas hastags sobre uma Terceira Guerra Mundial, líderes de outros países tentam conter os ânimos entre as partes. Rússia e China, aliados do Irã, criticaram a postura norte-americana.
O Parlamento do Iraque aprovou a expulsão das tropas dos EUA do país. Em represália, Trump promete sanções aos iraquianos. Já o primeiro-ministro Adil Abdul Mahdi, que deve decidir sobre a ordem do Congresso, não se pronunciou até o momento.
Embaixadores brasileiros esperam que o país volte a mediar conflitos. O que não significa que isso pode impedir Trump de iniciar uma guerra contra o Irã. Afinal, historicamente, presidentes norte-americanos impopulares conseguem suas reeleições após entrarem em guerras, além do fortalecimento das indústrias bélicas. Vale lembrar que em 2020 os eleitores dos EUA vão as urnas novamente.