No Brasil, a doação só acontece com a autorização da família; especialistas explicam o processo e esclarecem equívocos comuns
Setembro é marcado pela campanha Setembro Verde, que busca conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. Só no primeiro semestre deste ano, o estado de São Paulo realizou 4.229 transplantes de coração, fígado, pâncreas, pulmão, rim e córneas.
Apesar do avanço, a fila continua expressiva: 26.819 pacientes aguardam por um transplante no estado. O Governo de São Paulo, por meio da SES (Secretaria de Estado da Saúde), promove treinamentos e capacitações para profissionais da área, visando qualificar todas as etapas do processo.
Como funciona a doação
A doação de órgãos só ocorre após o diagnóstico de morte encefálica. Esse quadro geralmente é identificado em pacientes internados em pronto-socorros ou UTIs em estado grave. Após a confirmação da morte, a família é comunicada.
Nesse momento, entram em ação as OPO (Organizações de Procura de Órgãos), que avaliam se o paciente pode ser doador. Condições como HIV, tuberculose ou alguns tipos de câncer sem cura podem impedir o processo.
A família é entrevistada por enfermeiros especializados, que explicam os procedimentos, esclarecem dúvidas e verificam se o paciente já havia manifestado em vida a vontade de doar. No Brasil, a decisão final cabe sempre aos familiares.
Acompanhamento das famílias
O suporte às famílias começa no momento da entrevista e segue até a liberação do corpo. O acompanhamento pode ser feito presencialmente ou por telefone, e os familiares são informados sobre cada etapa.
Após a retirada dos órgãos, o corpo é devolvido em bom estado, com cicatrizes semelhantes às de uma cirurgia comum.
Mitos e verdades sobre a doação de órgãos
Quem pode autorizar a doação?
- Parentes de primeiro e segundo grau, como pais, irmãos, filhos, avós e netos. No caso de menores, ambos os pais devem assinar.
Existe algum custo para a família?
- Não. Em São Paulo, há inclusive benefício funerário garantido por lei municipal.
A religião proíbe a doação?
- Não. Nenhuma religião veta a doação; muitas incentivam o ato como gesto de amor ao próximo.
Como ser doador?
- É essencial comunicar o desejo à família. Sem essa autorização, a doação não ocorre.
É possível doar em vida?
- Sim. Uma pessoa saudável pode doar um dos rins, parte do fígado, medula óssea e até parte do pulmão, geralmente para familiares até quarto grau.
Uma única pessoa pode salvar até oito vidas?
- Sim. Além de órgãos como coração, pulmões, rins, fígado e pâncreas, também podem ser doados tecidos como córneas, ossos, válvulas cardíacas e cartilagem.
Idosos e pessoas com histórico médico podem doar?
- Podem, sim. A avaliação clínica feita no momento da morte define a viabilidade dos órgãos.
Existe limite de tempo para o transplante?
- Sim. Cada órgão tem um tempo máximo específico para retirada e transplante após a morte encefálica.
Qualquer órgão é compatível com qualquer pessoa?
- Não. São necessários exames clínicos e laboratoriais para avaliar a compatibilidade entre doador e receptor.
Solidariedade que transforma
A doação de órgãos é um ato de solidariedade capaz de mudar destinos. Em muitos casos, a vontade previamente expressa pelo doador facilita a decisão da família, tornando mais ágil o processo que pode salvar vidas.