Morte do menino Miguel gera revolta em todo o país
A morte do menino Miguel, de 5 anos, em Pernambuco, expõe uma dura realidade do Brasil. A mãe, Mirtes Souza, empregada doméstica, teve que levar o filho para o trabalho, no apartamento do prefeito de Tamandaré, Sérgio Real. Ela deixou Miguel com a primeira dama, Sarí Real, enquanto ia passear com o cachorro dela. A mulher, sem paciencia com o menino, o deixa ficar sozinho no elevador do prédio. Ele sobe até o 9º andar, despenca e morre.
Sari chegou a ser presa, mas pagou fiança de R$ 20 mil e está em liberdade. Já Mirtes, agora desempregada porque se demitiu, chora a morte de seu único filho. A dor dela comove outras mães, como a arujaense Simoni Cabral, que concedeu entrevista à Sputnik Brasil.
Simoni é funcionária de recursos humanos de uma empresa, mora sozinha com o filho, e precisa deixá-lo com a mãe dela, durante a pandemia, já que as escolas estão sem aulas.
“Eu tenho um filho na idade, e ouvir o relato da mãe me coloca um pouquinho no lugar dela, porque nem de longe eu posso dizer que entendo a dor dela. Porque, graças a Deus, meu filho está com vida. Mas, assim como ela, eu dependo de alguém pra ficar com o meu filho”, contou à Sputinik
Ela comentou na entrevista o quanto é complicado manter a rotina profissional e proteger o filho. “Houve uma ocasião já no período da pandemia em que minha mãe ficou doente e eu precisei me impor na empresa, pedi dois dias de trabalho home office pra que minha mãe pudesse se recuperar e eu pudesse cuidar do meu filho”, explica.