Pacientes graves de covid-19 recebem ‘visitas’ por vídeo em UTI de Arujá

Foto: Jamile Santana/ITDM

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Projeto do PAM Barreto e PA Central visa diminuir angústia de familiares provocada por internações e isolamento

Durante 25 dias, o engenheiro autônomo Saulo Noronha da Silveira, de 32 anos, e seu pai, João José da Silveira, de 62 anos, tinham um compromisso inadiável no Posto de Atendimento Médico (PAM) do Parque Rodrigo Barreto, em Arujá: das 15h às 17h, eles recebiam informações do estado de saúde da dona Heloísa Helena Noronha da Silveira, de 55 anos, internada em estado grave com covid-19.

Além de receberem informações sobre o tratamento médico da paciente, o filho e o marido aguardavam ansiosos a parte mais emocionante da visita: ver o rosto da dona Heloisa, por uma tela de celular.

Assim como Saulo e seu João, todos os demais familiares de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do PAM Barreto — além daqueles internados na enfermaria do Pronto Atendimento Central (PA Central) do Hospital Maternidade Dalila Ferreira Barbosa — são acolhidos pelo projeto da equipe multidisciplinar, que é composta por psicólogos e assistentes sociais.

“Os familiares têm um papel importante na recuperação do estado de saúde dos pacientes. Nessa fase, principalmente na UTI, eles ficam isolados e essa sensação de abandono pode trazer um desequilíbrio psicológico. A partir do momento que conversamos com eles todos os dias, mesmo com aqueles que estão desacordados por conta da intubação, criamos um vínculo. Com a chamada de vídeo, eles ficam sabendo que não estão sozinhos nessa luta”, explica o psicólogo Heber Freitas Silva, que realiza as chamadas com a assistente social Maria Cláudia dos Reis.

A influência positiva das visitas por vídeo pôde ser observada no caso da dona Heloísa. Dos 25 dias internada, em 20 ela ficou desacordada por causa da intubação.

“Nos primeiros dias a gente só via o rostinho dela, ela não reagia quando conversávamos. Mas ao longo do tempo, ela passou a fazer expressões faciais quando a gente falava com ela. Depois que foi entubada, passou a mexer com a cabeça pra nos responder e a olhar bem pra tela do celular. São conquistas que a gente não esquece”, detalhou Saulo.

Dona Heloísa saiu da UTI e foi transferida para  a enfermaria no dia 6 de julho, onde se recupera. “Hoje ela já fica com o celular e liga pra gente quando tem vontade. Mas essa humanização do atendimento foi fundamental porque, quando um paciente vai para terapia intensiva, uma família inteira vai junto. Foi uma forma mais humana de lidarmos com essa angústia que é não poder vê-la pessoalmente durante tanto tempo”, disse Saulo.

As visitas acontecem diariamente, inclusive aos sábados e domingos, das 15h às 17h. Uma família é atendida por vez em uma sala onde o médico passa todas as informações clínicas do paciente. O processo é acompanhado pelo psicólogo e assistente social. Ao término da conversa, começam as visitas por vídeo.

A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde, que prima pela humanização do atendimento e do tratamento dos pacientes internados. “É muito importante valorizarmos o lado humano em um ambiente tão tenso, no qual as pessoas lutam pela vida, ainda mais nesse momento de pandemia. Todos os envolvidos estão de parabéns”, destaca a secretária da Pasta, Carmen Pellegrino.

Equipe médica

A equipe médica e assistencial também passa por acolhimento psicológico. “No começo da pandemia era desesperador trabalhar na UTI porque não estávamos preparados para perder tantos pacientes ao mesmo tempo. Mas ao longo do tempo fomos ajustando protocolos de cuidado, vendo o que deu certo com outros colegas de outros hospitais e conseguimos reduzir os óbitos. Esse acompanhamento social e psicológico fez toda diferença no tratamento, a gente torce a cada evolução junto com os familiares”, pontua o médico intensivista Harlan Diego Oliveira de Vasconcelos.

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