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segunda-feira, setembro 28, 2020
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Papa Francisco: Servir é condição para entrar no céu

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Sumo pontífice celebrou Missa de Lava Pés em basílica vazia.

Em uma Basílica de São Pedro vazia, e com as portas fechadas, o papa Francisco presidiu a Missa da Instituição da Eucaristia e Lava Pés, nesta quinta-feira (9), no Vaticano. Confira a homilia do sumo pontífice, que destacou o serviço e o papel dos sacerdotes:

“A Eucaristia, o serviço, a unção: eis a realidade que vivemos hoje, nesta celebração. O Senhor quer ficar connosco na Eucaristia, e nós tornamo-nos tabernáculos permanentes do Senhor.

Trazemos connosco o Senhor, a ponto de Ele próprio nos dizer que, se não comermos o seu Corpo e não bebermos o seu Sangue, não entraremos no Reino dos Céus. Este é o mistério do Pão e do Vinho, do Senhor connosco, em nós, dentro de nós.

O serviço: um procedimento que é condição para entrar no Reino dos Céus. Servir, sim; servir a todos. Mas o Senhor, na troca de palavras que teve com Pedro (cf. Jo 13, 6-9), faz-lhe compreender que, para entrar no Reino dos Céus, devemos deixar que o Senhor nos sirva, que o Servo de Deus seja nosso servo. E isto é difícil de compreender. Se não deixo que o Senhor seja o meu servo, que o Senhor me lave, me faça crescer, me perdoe, não entrarei no Reino dos Céus.

E o sacerdócio. Hoje quero estreitar a mim os sacerdotes, todos os sacerdotes, desde o último ordenado até ao Papa. Todos somos sacerdotes. Os bispos, todos… Fomos ungidos, ungidos pelo Senhor; ungidos para fazer a Eucaristia, ungidos para servir.

Hoje não houve a Missa Crismal (espero que a possamos celebrar antes do Pentecostes; caso contrário, teremos que adiá-la para o próximo ano), mas não posso deixar passar esta Missa sem recordar os sacerdotes. Os sacerdotes, que oferecem a vida pelo Senhor; os sacerdotes que são servos.

Nestes dias, aqui na Itália, morreram mais de sessenta, infetados ao prestar cuidados aos doentes nos hospitais e também aos médicos, aos enfermeiros, às enfermeiras… São «os santos de ao pé da porta», sacerdotes que, servindo, deram a vida. E penso naqueles que estão longe. Hoje recebi a carta dum sacerdote, capelão duma prisão, distante, que conta como vive esta Semana Santa com os reclusos.

Um franciscano. Sacerdotes que vão levar o Evangelho lá longe; e lá morrem. Dizia um bispo que a primeira coisa que fazia, quando chegava a estes lugares de missão, era ir ao cemitério, ao túmulo dos sacerdotes que lá deixaram a vida, ainda jovens, pela insalubridade local [as doenças locais]: não estavam preparados, eles não tinham os anticorpos.

Ninguém sabe o seu nome: os sacerdotes anônimos. Os párocos de aldeia, que são párocos de quatro, cinco, sete paróquias, na montanha, e se deslocam duma para a outra, que conhecem o povo… Uma vez dizia-me um que sabia o nome de todas as pessoas das paróquias. «A sério?» – perguntei-lhe. Retorquiu-me: «Até o nome dos cães»! Conhecem a todos… A proximidade sacerdotal. Bons, bons sacerdotes!

Hoje tenho-vos muito presente no meu coração, e levo-vos ao altar. Sacerdotes caluniados. Nos nossos dias sucede, com frequência, não poderem caminhar pela estrada sem ter de ouvir coisas ruins que lhes dizem, relativas ao drama vivido com a descoberta dos sacerdotes que fizeram coisas ruins.

Diziam-me alguns que não podem sair de casa com o cabeção, porque os insultam; e eles continuam. Sacerdotes pecadores, que, juntamente com os bispos pecadores e o Papa pecador, não se esquecem de pedir perdão e aprendem a perdoar, porque sabem que precisam de pedir perdão e de perdoar. Todos somos pecadores. Sacerdotes que sofrem crises, que não sabem como fazer, estão na escuridão…

Hoje todos vós, irmãos sacerdotes, estais comigo no altar; vós, consagrados. Digo-vos apenas uma coisa: não sejais obstinados como Pedro; deixai lavar-vos os pés. O Senhor é o vosso servo; Ele está junto de vós para vos dar força, para vos lavar os pés.

E assim, com esta consciência da necessidade de ser lavados, sede grandes perdoadores! Perdoai! Coração com grande generosidade no perdão. É a medida com que seremos medidos: como tu perdoares, serás perdoado. Será a mesma medida. Não tenhas medo de perdoar.

Às vezes surgem-nos dúvidas… Olha para Cristo [contempla o Crucificado]. N’Ele, temos o perdão de todos. Sede corajosos… mesmo no arriscar, no perdoar, para consolar. E se, naquele momento, não puderdes dar um perdão sacramental, pelo menos dai a consolação dum irmão que acompanha e deixa a porta aberta para que [aquela pessoa] volte.

Agradeço a Deus pela graça do sacerdócio; todos nós [agradecemos]. Agradeço a Deus por vós, sacerdotes. Jesus ama-vos! Pede apenas que deixeis lavar-vos os pés.”

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