Pesquisadores da covid-19 são detidos em São José dos Campos

Foto: Freepik

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Profissionais enviados pelo Ministério da Saúde enfrentam dificuldades para descobrir infectados

Parte dos entrevistadores do Ibope Inteligência que formam a equipe encarregada de visitar quase 100 mil casas em 133 cidades, para aplicar testes sanguíneos capazes de identificar, rapidamente, se uma pessoa está infectada pelo novo coronavírus, foi impedida de trabalhar em cerca de 40 dos municípios selecionados para fazer parte da pesquisa financiada pelo Ministério da Saúde.

Segundo a administração da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), os pesquisadores estão de braços cruzados, esperando que os gestores municipais autorizem a seguir visitando as residências selecionadas, cujos moradores aceitem participar do estudo.

O Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel foi selecionado para coordenar a pesquisa EpiCovid19-BR em função de já estar à frente de um estudo semelhante realizado no Rio Grande do Sul.

Nos últimos dias, houve casos de entrevistadores detidos por guardas municipais em São José dos Campos (SP), outros foram destratados por cidadãos receosos da abordagem e equipes acabaram impedidas de trabalhar em várias localidades.

“Infelizmente, desde o início do trabalho de campo, no último dia 14, as equipes da pesquisa vêm passando por diversas situações constrangedores”, informa a administração da universidade, garantindo que o Ministério da Saúde notificou, previamente, os gestores de órgãos responsáveis dos 133 municípios selecionados para participar da pesquisa.

“[Ainda assim] em quase 40 cidades, os pesquisadores estão de braços cruzados, esperando autorização dos gestores municipais, num processo burocrático que pode causar prejuízo aos cofres públicos, visto que a pesquisa é integralmente financiada com recursos públicos”, acrescenta.

Na mesma nota, os administradores da UFPel lamentam a falta de apoio dos órgãos municipais aos entrevistadores treinados para ajudar no estudo que, segundo a UFPel, “pode salvar milhares de vidas” em meio a uma pandemia sem precedentes.

“Por mais que a comunicação formal do Ministério da Saúde aos municípios possa ter chegado muito perto do início da coleta de dados, nada justifica o comportamento de ‘xerifes’ assumido por alguns gestores municipais, que impedem ou atrapalham a realização de uma pesquisa”, afirmam os administradores da universidade, garantindo que os entrevistadores continuarão indo a campo para garantir a continuidade da pesquisa sobre a evolução da covid-19 no Brasil.

(Com informações da Agência Brasil)

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