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sexta-feira, fevereiro 26, 2021
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Surdos enfrentam dificuldade para atendimento em saúde

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Muitos deficientes auditivos evitam consultas por não serem compreendidos.

Deixar de ir ao médico para consultas de rotina ou em caso de dor parece algo impensável. Entretanto, essa é a realidade de muitas pessoas surdas ou com deficiência auditiva.

Surda, a professora de Língua Brasileira de Sinais (Libras) Sylvia Grespan, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, assume que evita o consultório médico, por julgar que os profissionais não estão preparados para atendê-la da forma adequada. Ter de escrever ou depender de alguém que descreva ao médico os sintomas que ela sente e compartilhe partes relevantes do seu histórico de saúde é, para ela, um incômodo.

Dizem que os surdos não procuram médico. Eu, Sylvia, não procuro, porque já sei que não vou ter uma comunicação efetiva. Então, não me sinto confortável, não tenho conforto linguístico de conversar com um médico“, diz, acrescentando que pessoas já relataram a ela casos em que foram repreendidas pelo médico por utilizarem o celular para tentar melhorar a comunicação durante a consulta. “É nosso direito ter um atendimento eficaz e efetivo. Já estamos no século 21 e até hoje a sociedade não está pronta pra receber o surdo?

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2,2 milhões de pessoas declararam ter deficiência auditiva. O grupo representa 1,1% da população brasileira.

Sylvia conta que, certa vez, ficou internada e se surpreendeu com as marcações no chão do hospital onde deu entrada.

“Eu achei legal, porque era [um recurso] visual, e perguntei ‘Por que é colorido’?. Me disseram: ‘Porque a maioria nesse município é analfabeta’. Tá vendo? Eles nem pensaram no surdo, e sim nas pessoas que não sabem ler nem escrever.”

A única exceção às experiências desagradáveis, afirma, ocorreu há dois anos, quando operou a vesícula e ficou na UTI [Unidade de Terapia Intensiva], por um mês. Sem estar à vontade para pedir que sua mãe, já idosa, a acompanhasse, teve uma surpresa.

“Eu me senti bem, porque ali todo mundo sabia Libras. Eu me senti muito feliz, porque eles eram meus ex-alunos.”

Políticas públicas

A fonoaudióloga Beatriz de Castro, da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic), menciona que 30% das crianças surdas ou com deficiência auditiva têm outras demandas de saúde, além da relacionada à audição. Além disso, 98% dos surdos têm pais ouvintes, o que, geralmente, faz com que não tenham contato com pessoas fluentes em Libras. 

O contexto, avalia a fonoaudióloga, requer uma política pública “múltipla”. “Até que ponto a gente consegue que eles fiquem fluentes tão rápido quanto precisam, se nunca conviveram na comunidade? Até que ponto tenho comunidades disponíveis, nesse Brasil enorme, que tenham interlocutores que vão fazer Libras? Então, é difícil de um jeito ou do outro. Portanto, estratégias inclusivas são uma necessidade em políticas públicas que atendam a essa diversidade”, afirma.

Com vasta vivência ao lado de surtos, Beatriz afirma que essa população é “submestimada intelectualmente”. “A pessoa, porque se trata de um surdo, começa a falar devagar e fica com pena. Ele é subestimado intelectualmente, porque a comunicação é um valor muito importante para o ser humano. Quando tem qualquer desvio de comunicação, imediatamente a pessoa é subestimada, do ponto de vista cognitivo.”

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